Editora Nocaute quer dar mais espaço a novos escritores brasileiros

Criada por Maik Bárbara e Vilto Reis, editora quer ir além e projeta traduzir seus livros inglês, mandarim, espanhol e francês


Dono do site Homo Literatus e finalista do Prêmio SESC de Literatura de 2015, o autor Vilto Reis, em parceria com Maik Bárbara, que atua com o comércio exterior, decidiram criar a Editora Nocaute.

Segundo os cabeças do projeto, o objetivo da Nocaute é publicar escritores brasileiros ainda desconhecidos, ou seja, revelar novos nomes na literatura nacional a fim de projetá-los e apresentá-los aos leitores, tanto no Brasil como no mundo. “Temos um projeto de tradução para o inglês, mandarim, espanhol e francês, e esperamos, por meio de e-books, atingir um público no exterior interessado em ler coisas diferentes”, ressalta Vilto.

Para lançar o primeiro livro da casa, Um gato chamado Borges, escrito pelo próprio Vilto, a editora apostou no financiamento coletivo em um projeto do Catarse, que passou a meta em mais de R$ 2 mil. Para os próximos meses, a editora já tem suas apostas: A verdade por trás das lendas, uma antologia sobre o folclore brasileiro, e John McLoving e a busca do mijo da vida, romance do escritor Mickael Menegueti. A Nocaute também é responsável pela revista literária Pulp Fiction idealizada por Jefferson Figueiredo.

Nicholas Sparks fala sobre ‘Dois a Dois’, novo livro que chega ao Brasil

Poucos escritores se encaixam tão bem na categoria de best-seller como Nicholas Sparks. Com 20 anos de carreira, o norte-americano já vendeu mais de 100 milhões de cópias dos 19 livros que lançou. Desses, 11 foram adaptados para o cinema, viraram sucesso de bilheteria e alguns até podem ser considerados clássicos do romance, como Um Amor para Recordar e Diário de Uma Paixão.

Agora, porém, o escritor decidiu navegar em outras águas. Em vez do romance entre jovens apaixonados, fórmula que o consagrou, ele decidiu investir no drama familiar: em Dois a Dois, livro que acaba de chegar ao Brasil, Sparks conta a história de Russ, um homem que vê sua vida desmoronar e que precisa assumir, sozinho, os cuidados de sua filha London, de apenas 5 anos. “É uma história sobre paternidade”, resume Sparks, que é pai de cinco filhos e que acaba de terminar um casamento de 25 anos.

No Brasil, a impressão que fica é que os fãs não se importaram com o distanciamento de Sparks do romance. Na última semana, uma livraria em São Paulo foi tomada por centenas de jovens emocionados com a presença do escritor. Em apenas uma noite, foram mais de 1,2 mil livros autografados. Como resultado, um sorriso inabalável em seu rosto, apesar do cansaço.

Ao Estado, Sparks, aos 51 anos, falou sobre seu novo livro, sobre as suas inspirações para escrever tantas histórias, sobre novos projetos e sobre ser tachado de escritor “água com açúcar”. A seguir, os melhores trechos da conversa:

O que o sr. espera que as pessoas sintam com a história de ‘Dois a Dois’? O que quer falar com esse livro? 

É um livro sobre o amor de um homem por sua filha, com os medos naturais de um pai que tenta ser bom para ela. Mas a trama central, que inspirou o título do livro, é a ideia de que as pessoas não são feitas para percorrer caminhos sozinhas. O mundo é mais fácil quando você tem alguém do seu lado, seja sua família, um amigo ou filhos. Apenas pessoas que se importam com você. São essas duas ideias principais: a paternidade e a necessidade de ter alguém do seu lado.

A história é surpreendente para quem acompanha o seu trabalho. Ela tem um pouco de romance, mas é mais dramática. De onde veio esse desejo de escrever uma história sobre um drama familiar? 

Dramas familiares sempre fizeram parte dos meus romances. É fácil pensar sobre os meus livros como sendo apenas histórias de amor, mas é muito mais do que isso. Minhas histórias são mais do que romances, e tem sido muito mais do que isso ao longo de toda a minha carreira. Para mim, é natural escrever sobre um drama familiar. Ele envolve as principais emoções que sentimos e eu acho que, se você as coloca numa história, você ecoa as emoções nos leitores. E com isso eles tendem a lembrar da história muito depois de terminar de ler.

Em ‘Dois a Dois’, temos duas personagens homossexuais. Mas até hoje não tivemos nenhuma obra sua com personagens principais gays. O sr. pensa em fazer algo assim? 

Esses personagens refletem a realidade e eu gosto de romances que refletem a realidade. Tenho familiares que são gays, eu trabalho com homossexuais, e eles acabam nos meus livros. É um movimento natural e isso deve continuar a acontecer.

O sr. não sente vontade de escrever livros de diferentes gêneros?

Tenho curiosidade de saber como seria um livro policial escrito pelo sr., ou até mesmo um conto de terror. 

É interessante, mas não tenho vontade. Afinal, quando eu escrevo dramas, eu sempre coloco elementos de outros gêneros na história. Meu último livro, No Seu Olhar, se transforma em suspense em determinado momento da história. Na última metade do livro, as pessoas até se perguntam: ‘Cadê o meu romance?’. Já consegui usar suspense, elementos sobrenaturais e até mesmo faroestes em minhas histórias. Não tenho motivo para mudar completamente para um outro gênero literário.

Mas o sr. recebe críticas por ser muito ‘água com açúcar’, não é? 

Eu não penso nisso.

Nunca? 

Quando escrevo um livro, sei que é o melhor trabalho que posso fazer. Se a minha agente e o meu editor estão felizes com a história, sei que é o melhor resultado que poderia ter. Fico feliz com as minhas histórias, independentemente do que as pessoas digam ou das críticas que meu livro recebe.

E você faz muito sucesso no cinema com essas histórias? 

Sim, tive muitos livros adaptados para o cinema. E eu não sei o motivo. Quando Uma Carta de Amor estreou, rendeu mais de US$ 50 milhões de bilheteria e logo começamos a fazer outro filme. E aí fizemos Um Amor para Recordar e foi um sucesso. Arrecadou cerca de US$ 60 milhões, enquanto gastamos US$ 6 milhões. E a partir daí, um sucesso leva a outro.

Qual o segredo para isso? 

Meus filmes possuem papéis interessantes para atores, o que atrai bons nomes para minhas produções. É divertido fazer um filme de aventura ou um filme da Marvel, mas esses personagens não possuem alcance. Por isso, bons atores querem atuar em meus filmes e, talvez por isso, eles fazem tanto sucesso.

Você participa da produção dos filmes? 

Sempre me envolvo muito. Fico muito envolvido durante o processo de criação, trabalhando com o diretor, me envolvendo com o elenco. E, quando o filme começa, eu deixo os diretores e os atores fazerem seus trabalhos.

Você tem planos de adaptar ‘Dois a Dois’ para o cinema? 

Esse é um tipo de história pela qual eu tenho muito interesse em adaptar para o cinema. Mas não é algo imediato.

Qual o sentimento de fazer parte da vidas das pessoas? Afinal, ‘Diário de Uma Paixão’, por exemplo, marcou uma geração.  

É um dos melhores sentimentos do mundo. É muito honroso ter fãs de 15 anos ou 90 anos. Nos lançamentos dos meus livros, encontro mães, filhas, avós. Todas com meus livros. Fico feliz por ter sido capaz de ultrapassar gerações.

Quais são seus planos futuros? 

Estou trabalhando num romance, espero terminá-lo até julho. E espero começar outro em seguida, se tiver uma ideia. Mas claro, ainda tenho vida. Tenho filhos, filmes. Não posso parar.

Fonte: O Estadão.

Livros infantis de Chico Buarque e Ziraldo são relançados

‘Saltimbancos’ e ‘Chapeuzinho Amarelo’ estão sendo reeditados pela editora Autêntica

Há quarenta anos, aprendemos que “o melhor amigo do bicho é o bicho” e que a exploração dos animais pelo homem não passaria mais desapercebida. Na mesma época, fomos apresentados a uma menina acanhada que descobriu que valia a pena encarar o tão temido lobo das historinhas e, assim, deixar para trás “o medo do medo do medo” daquilo que a paralisava.

Saltimbancos e Chapeuzinho Amarelo, os dois livros infantis de Chico Buarque e Ziraldo, estão sendo reeditados pela editora Autêntica na condição de clássicos da literatura para crianças no Brasil. Já foram vendidos mais de dois milhões de cópias, levando-se em conta as remessas para escolas e empresas e o varejo. O campeão é Chapeuzinho, de 1970, que Chico dedicou às suas filhas Luísa, Silvia e Helena e a outros pequenos, e que chega à sua 40.ª edição.

Tanto o escritor quanto Ziraldo foram premiados: ainda com ilustrações originais de André Letria, o livro, em 1979, ganhou o selo de “altamente recomendável para crianças” da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; em 1998, Ziraldo recebeu o Jabuti por seus desenhos.

Já a fábula de Saltimbancos, inspirada em Os Músicos de Bremen, dos irmãos Grimm, alcançou o livro em 2007, numa comemoração dos 30 anos de sucesso da peça. A responsável pela união do texto de Chico e do traço e do colorido do pai do Menino Maluquinho foi a editora Maria Amélia Mello.

À época na José Olympio, ela agora teve o aval dos autores para o relançamento dos dois títulos na Autêntica, da qual é editora. “Foi Ziraldo que deu a cara da Chapeuzinho que todo mundo conhece. Essa dobradinha nos dois livros foi muito oportuna, os textos têm humor e o Ziraldo trouxe mais ainda”, ela analisa.

O livro dos Saltimbancos tem os diálogos e as músicas da peça. A adaptação de Chico para o disco infantil I Musicanti, dos italianos Sergio Bardotti (versionista do compositor para o italiano) e Luis Enriquez Bacalov, é bem mais conhecida como musical do que como livro. Em 40 anos, os temas Bicharia, História de Uma Gata e Todos Juntos Somos Fortes já circularam por palcos de todo o Brasil.

Só a atriz Maria Lúcia Priolli, que dirige a montagem em cartaz no Rio, tem 25 anos como a Gata. São mais de 2 mil apresentações, no teatro e em sessões em festas e em escolas. “Já encenamos para a classe A e em favelas, e a magia é a mesma. Ela vem das músicas e das temáticas: o respeito ao próximo, a cidade ideal com que a gente sonha. Todo pai e mãe têm vontade de passar isso para o filho. A peça não trata a criança de forma tatibitate”, acredita a atriz e diretora. “Eu entro no palco e saio sempre melhor, mais feliz.”

A saga do jumento, da gata, do cachorro e da galinha surgiu primeiro em disco, como relembrou Chico ao site Pecinha é a vovozinha!, do jornalista e dramaturgo Dib Carneiro Neto. “Eu trouxe da Itália as bases e propus à minha gravadora lançar um disco infantil. Toparam, ficava em conta. Havia pouco mercado para músicas infantis. Nem Xuxa tinha ainda. Era uma novidade aqui”, contou, tendo como gancho os 40 anos da primeira encenação. “(O êxito) foi uma surpresa para todo mundo, até para os autores, porque o disco italiano não fez muito sucesso e não foi para o teatro. Aqui a história vingou, sabe-se lá por quê.”

Os temas ganharam ainda mais brilho no formato sinfônico, com a Orquestra Petrobras Sinfônica. Lançado em CD, o espetáculo, com arranjos do violinista Mateus Freire, fez sucesso em temporada carioca, sob a regência do maestro Felipe Prazeres, e há planos de seguir viagem.

 

CHAPEUZINHO AMARELO
Editora: Autêntica
Preço: R$ 37,90

SALTIMBANCOS
Editora: Autêntica
Preço: R$ 37,90

Fonte: O Estadão