“O Cemitério”, de Stephen King, pode ser adaptado para os cinemas

It: A Coisa já é um sucesso estrondoso e Andy Muschietti — o diretor do filme — já está dando pistas de filmes que gostaria de trabalhar depois que terminar a adaptação de It. Em uma entrevista a revista EW,  Muschietti disse que, se pudesse escolher uma nova obra de Stephen King para adaptar, escolheria “O Cemitério“, o primeiro livro de King que ele leu na vida. Ele declarou:

“Minha afeição por O Cemitério vai seguir comigo até eu morrer. Eu sempre sonharei com a possibilidade de fazer um filme dessa obra.”

A irmã de Andy e produtora dos filmes do diretor, Barbara Muschietti, revelou que eles inclusive já leram roteiros de uma adaptação do livro e que gostariam de fazer justiça a obra caso produzissem o longa:

“Vamos ver quem consegue fazer esse filme antes! Mas Cemitério foi o primeiro livro do King que nós lemos e é o livro mais pessoal dele. Você consegue imaginar a sua jovem família. O que ele vai fazer pra manter sua família? Até que ponto ele vai chegar? Mas nós gostaríamos de fazer justiça ao livro da mesma forma como fizemos com It: A Coisa. As versões que lemos nos últimos anos, na nossa opinião, não representam bem o livro.”

Mas o diretor do filme de terror mais bem sucedido da história tem uma competição grande pela frente, Guillermo Del Toro também tem interesse em adaptar a obra:

“Livro do dia: O Cemitério de Stephen King. Muito sombrio e emocional. Li compulsivamente. Mataria alguém pra fazer um filme disso.”

Por enquanto Andy Muschietti só está agendado para dirigir o capítulo 2 de It: A Coisa, que deve estrear em 2019.

 

Ficção: A Suspensão da Realidade

Criando coerência em um mundo de ficção

Pode-se dizer que toda vez que começamos a ver ou ler uma obra narrativa, é estabelecido um “contrato” entre o autor e o seu público. Em troca de receber e sentir as emoções de uma história, o público realiza o que chamamos de suspensão da realidade, ou seja, por aquele período de tempo, nós não estamos mais no nosso mundo, mas sim nos transportamos para o mundo criado pelo autor.

O escritor e roteirista, durante o processo de construção do texto, deve ter muito cuidado ao estabelecer onde sua obra vai se situar e quais são as regras que regem esse mundo. Ele deve ficar muito atento para não romper com os limites da suspensão da realidade, ou seja, quebrar a coerência do mundo onde sua obra se situa, com o risco de fazer com que o público perca o interesse pela história e se sinta desapontado.

Uma das grandes façanhas de George Lucas foi a criação de toda uma mitologia e um universo distinto no filme Guerra nas Estrelas (1977). Ao assistirmos o filme, nossa realidade é suspensa e somos levados a uma guerra espacial entre os rebeldes e o maléfico império. Temos planetas diversos, inúmeras espécies diferentes, som no vácuo do espaço, naves gigantescas e espadas de luz.

Porém, em nenhum momento duvidamos da existência ficcional deste mundo durante o filme. Lucas respeita as regras que ele mesmo criou. Nós sabemos dos limites de uma nave espacial, assim como sabemos os limites e os poderes de um sabre de luz.Quando anos depois Lucas retomou o mundo de Guerra nas Estrelas, fazendo uma nova trilogia, muitas críticas foram realizadas, principalmente por fãs que se sentiram traídos por incoerências encontradas com o mundo estabelecido anteriormente. Uma das principais foi no desenvolvimento do personagem de Anakin Skywalker, o Darth Vader. Apesar de já dar sinais de turbulência espiritual, Anakin se torna um ser extremamente cruel em questão de minutos, fazendo inclusive uma chacina de crianças. Nesse momento, a suspensão da realidade é forçada ao extremo, e, para muitos, rompida. O curioso é que a crítica não é em relação a tecnologia de um mundo de fantasia espacial, mas sim em relação a mudança repentina no comportamento humano. Lembrando que ficção não é “realidade”, mas sim uma representação dela. No mundo “real”, coincidências e atos repentinos são mais comuns do que imaginamos. Em uma obra de ficção, porém, isso pode ser visto como desleixo do escritor.

Não é só em obras de ficção científica que a suspensão da realidade ocorre. Ela ocorre em todas as obras, do teatro às histórias em quadrinhos, do universo mais distante a uma obra feita sobre o bairro que você vive. A novela Avenida Brasil (João Emanuel Carneiro – 2012), da rede Globo de televisão, fez grande sucesso ao explorar de maneira eficaz o enredo da vingança. Porém, em vários momentos o espectador se sentiu frustrado e teve a suspensão da realidade quebrada.

O mundo ficcional de Avenida Brasil foi estabelecido no Rio de Janeiro, tendo destaque partes do seu subúrbio. Quando a personagem Nina (Débora Falabela), que passou anos no exterior, e tem relativa educação escolar, não usa o recurso de um pen drive para poder fazer cópias das fotos comprometedoras de sua inimiga, a suspensão da realidade é quebrada, e o fato acabou virando assunto nacional. A personagem de Nina em praticamente nenhum momento da história se mostrou alheia e ignorante a questões tecnológicas. Além disso, poderia ter feito mais revelações das fotos ou feito cópias por email. Curioso também que nenhum outro personagem lhe aconselhou sobre isso. Esse episódio se configurou como um grave furo na coerência do mundo estabelecido.

O autor deve fazer toda uma pesquisa na hora de construir o mundo no qual sua história ocorrerá. Seja na criação de personagens, seja na criação de um mundo de ficção, se não tivermos todo um cuidado na hora da construção, acabaremos esbarrando nos temidos estereótipos e clichês, e isso é muito perigoso. Se você for escrever sobre depressão, faça pesquisas e procure se aprofundar no tema. Se for escrever sobre a periferia do Rio de Janeiro, faça pesquisas e consulte jornalistas, policiais e livros especializados. A periferia do Rio de Janeiro não é a mesma que a de São Paulo ou do Rio Grande do Sul.

Se você for criar uma obra histórica, conheça os costumes, vestimentas, crenças e práticas da época e do local. No caso da criação de um mundo novo, como o de Guerra nas Estrelas, estabeleça coerências e determine o que pode e o que não pode ser rompido. O respeito a suspensão da realidade do público é uma das características mais importantes de um grande escritor.

Fonte: Além do Cotidiano

Novo livro de Dan Brown, ‘Origem’ – Leia o primeiro capítulo

Romance que traz como protagonista Robert Langdon chega às livrarias no dia 3 de outubro


O professor Robert Langdon está de volta após quatro anos de espera. A Editora Arqueiro, que publica a obra do best-seller Dan Brown no Brasil, divulgou hoje o primeiro capítulo de “Origem”, o novo romance do escritor, que chega às livrarias do mundo todo no dia 3 de outubro.

Principal protagonista dos romances do best-seller americano Dan Brown — presente em “Anjos e demônios” (2000), “Código Da Vinci” (2003), “O símbolo perdido” (2009) e “Inferno” —, o professor de Harvard, especialista em simbologia e iconografia religiosa, viaja para Bilbao, na Espanha, acompanhar o anúncio de uma descoberta que iria mudar a ciência para sempre.

O responsável pela apresentação no icônico Museu Guggenheim é Edmond Kirsch, um bilionário de 40 anos que se tornou globalmente conhecido por suas invenções tecnológicas e suas previsões audaciosas. Kirsch foi um dos primeiros alunos de Langdon em Harvard e promete responder a duas questões fundamentais sobre a existência humana.

No meio do evento, entretanto, irrompe o caos e a descoberta pode ser perder para sempre. Ao lado da diretora do museu, Ambra Vidal, ele voa para Barcelona numa saga para localizara senha que pode abrir o segredo de Kirsch. A trama, bem ao estilo de Brown, mistura fatos históricos, extremismo religioso e arte.

Leia AQUI o primeiro capítulo.

 

Leia trechos da biografia ‘Rogéria — Uma mulher e mais um pouco’

Livro escrito por Márcio Paschoal foi lançado em outubro de 2016


Há um ano, Rogéria, nascida Astolfo Barroso Pinto, repassou sua trajetória na biografia “Rogéria — Uma mulher e mais um pouco” (Sextante), assinada pelo jornalista Márcio Paschoal. A atriz e cantora morreu na noite dessa segunda-feira, aos 74 anos. Leia trechos:

As reinações de Tofinho

Astolfinho não gostava de brincar de bonecas (na verdade, tinha pavor delas), mas já se notavam nele alguns trejeitos femininos. Descia as escadas puxando um pano, como se fosse um vestido longo. Alguns comentários de que o filho parecia uma menininha não abalariam nem modificariam o comportamento de sua mãe.

Com espírito de liderança, Astolfinho logo se tornou chefe da sua turma de amigos. Falante e carismático, comandava o grupo que se aventurava pela vizinhança, descobrindo novidades. Havia uma ponte nas proximidades, e os meninos iam lá para pegar rã. Tofinho deu com uma cobra-d’água e ficou em pânico, histérico. Os meninos estranharam, mas ninguém se atrevia a zombar dele. Tinha faniquitos, mas era bom de braço. Todo mundo já desconfiava que ele era meio viadinho, mas ninguém falava nada. Pelo menos, na sua frente.

Adolescência

A cada dia aumentava nele a vontade de se vestir de mulher. Seria uma forma de se expressar, relacionada a roupas, sapatos, maquiagem, adereços e acessórios, enfim, com a caracterização feminina. Já se sentia meio mulher, e era como se, ao se vestir assim, acalmasse uma angústia com a qual ele mesmo não conseguia atinar. Era Carnaval, e Astolfinho, então com 14 anos, viu ali uma oportunidade única: colocou um maiô Catalina preto, uma saia amarela e um chapeuzinho para disfarçar o cabelo curto. Não se maquiou nem pôs peruca. Era o suficiente. Todos que passavam por ele mexiam “Que lindinha!”, “Vai aonde, gracinha?”. Astolfinho estava adorando. O azar foi sua tia Neusa o flagrar passando e logo contar a Eloah. Resultado: uma bronca daquelas e, como castigo, o fim do Carnaval para ele. Na realidade, a bronca da mãe não era propriamente por ele se fantasiar daquela maneira, mas sim por deixar-se ser visto.

O padrasto

Astolfo vivia a postura mais neutra dos travestis. Não precisava sobreviverda venda de sexo, não se intoxicava de drogas e álcool, não deformava o corpo com injeções de silicone industrial ou óleo Nujol, não passava pelas agruras que eles passavam na tênue linha que separava o normal e o aceito da marginalidade. Astolfo era gay e adorava fantasiar-se de mulher, mas não praticava o estilo travesti de vida. Também se sentia feliz como homem. Especialistas em sexualidade entendem que os travestis, em sua grande maioria, são biologicamente identificados com o seu sexo de nascimento. O padrão comportamental é sentirem-se, ao mesmo tempo, como homens e mulheres, não cogitarem mudar o sexo biológico e terem, geralmente, atração por pessoas do mesmo sexo.

A transformação

Com os hormônios, cabelos louros, depilada e magra, unhas longas e quadradas (dica dos tempos de vedete com Carmen Verônica), só lhe faltava uma correção no nariz. A cirurgia de um dia foi realizada numa clínica no 6ème arrondissement. Pronto! O encontro de Astolfo com seu lado mulher estava terminado. Agora Rogéria passaria a incorporar o lado feminino em seu cotidiano parisiense 24 horas por dia. O teste final aconteceria no metrô de Paris, entre as estações de Pigalle e Montparnasse, na companhia da transformista Dany Dan e da transexual Capucine. “Vamos ver se você passa por mulher, vagabunda, bicha ou homem”, disseram. Rogéria, de rabo de cavalo, vestido simples e um salto não muito alto, recebeu alguns olhares de cobiça, mas ninguém riu nem debochou dela. A maioria das pessoas sequer tomou conhecimento. Rogériahavia passado no teste, com louvor. Estava pronta. Overedicto foi de Dany: “Tu es prêt à voler!” Você está pronta para voar.

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Fonte: O Globo