Magazine Luiza compra Estante Virtual

Marketplace de livros novos e usados foi vendido pela Livraria Cultura por R$ 31 milhões

No final do novembro, o PublishNews adiantou em primeira mão que o Magazine Luiza estava de namoro com a Cultura para ficar com a Estante Virtual. A venda foi autorizada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em dezembro último e, nesta quinta-feira (30), em um leilão, o Magalu bateu o martelo e ficou com o marketplace de livros novos e usados. O lance final foi de R$ 31 milhões.

Fundada em 2005, a Estante Virtual foi comprada pela família Herz no fim de 2017. Naquela época, a livraria já apresentava sinais de sua fragilidade financeira. O pedido de recuperação veio um ano depois e, no plano de reestruturação, a Cultura previa, como uma das medidas gerais para a sua recuperação, a venda de ativos, incluindo UPIs (Unidades Produtivas Isoladas), como era o caso da Estante Virtual.

Em abril do ano passado, diante do cenário de crise que afetou Saraiva e Cultura -– duas tradicionais e importantes redes de varejo de livros no País -–, o Magalu passou a investir na venda de livros. Dava ali o primeiro sinal de aproximação com o mercado.

Credores da Cultura ouvidos pelo PublishNews e que pediram para ficar no anonimato não se animaram com a injeção desse dinheiro no caixa da empresa, já que os R$ 31 milhões apurados representam pouco mais de 10% do valor da dívida da Cultura declarada à Justiça. Além disso, questionaram se o dinheiro da venda será mesmo usado para abater as dívidas da empresa que está em recuperação judicial.

O PublishNews conversou também com alguns sebistas, diretamente afetados pela operação da Estante Virtual. Entre eles, a opinião se dividiu. Há os que dizem que pior do que estava nas mãos da Cultura é impossível ficar e, portanto, veem o movimento como positivo, e há ainda os que prefeririam uma administração independente ou por uma varejista com mais experiência no ramo livreiro.

Cid Vale Ferreira, do Sebo Clepsidra, que tem duas lojas em São Paulo e uma em Bauru, no interior paulista, vê o movimento com bons olhos. “Mais do que ampliar sua cartela de clientes, o Magazine Luiza pode impulsionar de forma crucial a recuperação do mercado secundário de livros, mas isso demanda visão estratégica”, disse ao PublishNews. Ele comentou também sobre a possibilidade de diversificar as formas de pagamento, algo que seria muito bem-vindo, na sua avaliação. O livreiro, no entanto, diz que se preocupa com a possibilidade de a empresa planejar ampliar seu faturamento não pelo fomento das vendas de seus vendedores associados, o que aumentaria o recolhimento de taxas, mas sim pela entrada de produtos do Magalu para concorrer com os produtos que já se encontram por lá. “Estamos atentos aos desdobramentos da aquisição com certo alívio. Esperamos que boas notícias estejam a caminho”, finalizou.

O que não está claro ainda é como será feita a integração entre Estante Virtual e Magazine Luiza. É acompanhar as cenas do próximo capítulo.

Agora, além da Estante Virtual e do seu e-commerce próprio, o Magalu conta no seu catálogo as marcas Época Cosméticos, Netshoes, Shoestock e Zattini.

A compra deverá ser concluída em até 20 dias.

Fonte: PublishNews

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