H.P. Lovecraft era racista?

H.P. Lovecraft era racista?

É consenso entre especialistas que o autor de “O chamado de Cthulhu” (1928) era racista, xenófobo e eugenista. Em sua vasta correspondência, H.P. Lovecraft manifestou simpatia por Hitler, pregou a superioridade da raça ariana e chegou a se referir a negros como “chimpanzés gordurentos”. “A velha desculpa de que Lovecraft era ‘um homem de seu tempo’ não convence”, afirma o historiador Luís Otávio Canevazzi de Freitas, da UFU (Universidade Federal de Uberlândia). “Ele sabia que era racista, defendia a eugenia e, até seu leito de morte, se manteve firme em suas convicções”.

Autor de “Miscigenação, racismo e fim do mundo na literatura fantástica de H.P. Lovecraft” (2019), Canevazzi explica que o ódio racial do escritor, nascido em Rhode Island, na Nova Inglaterra, se acentuou em 1924, quando ele se casou com a escritora Sônia Greene (1883-1972) e foram morar em Nova Iorque. “Sempre que andávamos em meio à multidão e nos deparávamos com pessoas das mais diferentes etnias”, relatou sua mulher, certa vez, “ele ficava lívido de raiva e quase perdia a cabeça”.

No ano do 130° aniversário do autor, sua obra, tanto aqui quanto lá fora, continua a ser relançada. Na maioria das vezes, as novas edições trazem notas críticas sobre o conteúdo ofensivo de contos, como “O caso de Charles Dexter Ward” (1943), “A sombra de Innsmouth” (1936) e “O horror em Red Hook” (1927).

Para além do mercado editorial, o Mestre do Terror acaba de ser revisitado em “Lovecraft Country”, da HBO, baseada no livro “Território Lovecraft” (2016), de Matt Ruff. “A série subverteu a obra lovecraftiana, ao colocar protagonistas negros em cena e problematizar a segregação racial dos EUA. Se estivesse vivo, duvido que Lovecraft permitiria que a HBO utilizasse seu nome em algo com conteúdo antirracista”, especula o historiador.

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Fonte: UOL – André Bernardo

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