As paredes eram brancas – Discurso Indireto Livre

Técnica ou falha na narrativa?


Confesso que tenho ficado surpreso com alguns comentários sobre a técnica empregada na narrativa do livro “As paredes eram brancas”.  O Discurso Indireto Livre é uma técnica utilizada por autores em todo o mundo, entretanto, percebo que, no intuito de parecerem críticos (de literatura?), alguns leitores associam a utilização de tal técnica a uma “falha” na narrativa. Recentemente, num desses comentários na internet, li algo assim: “A trama (do livro As paredes eram brancas) é muito boa, mas, em alguns momentos, as vozes dos personagens se confundem com a voz do narrador”. Um erro crasso do escritor?
            Bem, é importante lembrar que essa é um das principais caraterísticas da técnica. No Discurso Indireto Livre, as falas dos personagens, feitas em primeira pessoa, surgem espontaneamente dentro do discurso do narrador, feito em terceira pessoa. Por não haver marcas que indiquem a separação da fala do narrador e da fala do personagem, em alguns casos é difícil delimitar o início e o fim da fala do personagem, uma vez que está inserida na voz do narrador. Nesse sentido, leitores, digamos, menos inteirado no assunto, podem enxergar uma falha onde na verdade há só mais uma técnica empregada pelo escritor naquela determinada obra.

Ficou curioso(a)?… Saiba mais sobre o livro AQUI.

Por: Max Moreno