As paredes eram brancas – Discurso Indireto Livre

Técnica ou falha na narrativa?


Confesso que tenho ficado surpreso com alguns comentários sobre a técnica empregada na narrativa do livro “As paredes eram brancas”.  O Discurso Indireto Livre é uma técnica utilizada por autores em todo o mundo, entretanto, percebo que, no intuito de parecerem críticos (de literatura?), alguns leitores associam a utilização de tal técnica a uma “falha” na narrativa. Recentemente, num desses comentários na internet, li algo assim: “A trama (do livro As paredes eram brancas) é muito boa, mas, em alguns momentos, as vozes dos personagens se confundem com a voz do narrador”. Um erro crasso do escritor?
            Bem, é importante lembrar que essa é um das principais caraterísticas da técnica. No Discurso Indireto Livre, as falas dos personagens, feitas em primeira pessoa, surgem espontaneamente dentro do discurso do narrador, feito em terceira pessoa. Por não haver marcas que indiquem a separação da fala do narrador e da fala do personagem, em alguns casos é difícil delimitar o início e o fim da fala do personagem, uma vez que está inserida na voz do narrador. Nesse sentido, leitores, digamos, menos inteirado no assunto, podem enxergar uma falha onde na verdade há só mais uma técnica empregada pelo escritor naquela determinada obra.

Ficou curioso(a)?… Saiba mais sobre o livro AQUI.

Por: Max Moreno

Até a última consequência – Por: Silvania Maria Costa

Apesar da “tempestade” ainda há poesia, o que nos faz acreditar em dias menos sombrios. Confira o texto (necessário) da escritora Silvania.

ATÉ A ÚLTIMA CONSEQUÊNCIA

Nem que não valesse a pena.

Altruísmo mitigado, o óbolo rejeitado, penhor desconsiderado, não importa!

Que seja pela voz calada,

Que seja pela honra ultrajada,

Que seja pela alma violentada!

Onde está teu grito, que não ecoa a dor dos torturados?

Onde irão teus pés, que não caminham ao encontro do expropriado,

Sucumbido, desterrado em favor do latifúndio?

 _ Esperança: alívio ou castigo?

Só mais hoje sobrevive ao inimigo.

Sem trégua, sem descanso resistir.

Amanhã a mesma luta, ou outras lutas hão de vir.

O esperar é tão atroz,

A luz que brilha no machado do algoz!

Só por hoje a fome crônica enganada,

A arrogância na vitrine, de bondade disfarçada,

Conta vantagens nos salões da burguesia,

Travestida para o aplauso e honraria.

Massa alienada conduzida até a morte,

Segue aplaudindo a intolerância e a vilania, feito gado.

A bala que abate vem da arma registrada, posse e porte.

Enquanto isso, um deus terreno feito à mão,

Governa a aparvalhada multidão,

Constrói o desmantelo ao seu agrado.

E nós? O que nos prende sob o domo da anuência?

Se a rebeldia não tolera vida escrava,

Sigamos, pois, até a última consequência.

Se o poder que ainda não nos foi tirado,

Pode ecoar, reverberar e libertar nossa Palavra!

Sobre a autora:

Silvania Maria Costa é escritora, presidente da AME – Associação
Mourãoense dos Escritores, e membro da AML – Academia Mourãoense de
Letras.

Rubem Fonseca morre no Rio

Rubem Fonseca

Nascido em Juiz de Fora (MG) em 11 de maio de 1925, José Rubem Fonseca mudou-se para o Rio aos 8 anos de idade. Formado em Direito, trabalhou como comissário de polícia no início dos anos 1950.

Na década seguinte, prestou serviços para o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), vinculado ao golpe militar de 1964. Mais tarde, ele negou que tivesse apoiado o regime.

Dentre os principais livros de Rubem Fonseca, estão os volumes de contos “Lucia McCartney” (1967), “Feliz ano novo” (1975) e “O cobrador” (1979), além dos romances “O caso Morel” (1973), “A grande arte” (1983) e “Agosto” (1990).

O escritor mineiro era considerado um dos maiores da literatura brasileira e costuma ser avesso a eventos públicos.

Em 2015, ao receber o Prêmio Machado de Assis, entregue pela Academia Brasileira de Letras (ABL) pelo conjunto da obra, Rubem Fonseca citou seu livro de estreia, escrito aos 17 anos.

Ele também falou sobre como a obra chocou o primeiro editor a quem ela foi oferecida. O “problema” teria sido, justamente, a presença de palavrões no texto.

Questionado sobre o fato de Machado de Assis e Eça de Queiroz, algumas de suas inspirações, não usarem palavrões em seus textos, Fonseca afirmou que as palavras não devem ser discriminadas.

“Eu escrevi 30 livros. Todos cheios de palavras obscenas. Nós, escritores, não podemos discriminar as palavras. Não tem sentido um escritor dizer: ‘Eu não posso usar isso’. A não ser que você escreva um livro infantil. Toda palavra tem que ser usada”, disse ele.

As paredes eram brancas – Resenha portal “O Literário”

A primeira coisa que se nota na narrativa de Max Moreno em “As paredes eram brancas” é a comicidade velada. Aquele ar cômico interessante e pautado nas entrelinhas, que faz o leitor somente esboçar um leve sorriso de lado, mas que mostra a genialidade de quem tem familiaridade com as palavras. Nem preciso dizer o quanto aprecio esta sagacidade. Faz com que eu goste do narrador antes mesmo de pensar em apreciar o personagem. L… Ver mais

Jabuti premiará ‘literatura de entretenimento’

Mudanças da 62ª edição incluem a nova categoria Romance de Entretenimento e a divisão da categoria Humanidades. Adélia Prado será a homenageada na cerimônia antecipada para setembro.

O Prêmio Jabuti abre nesta terça-feira (17), as inscrições para a sua 62ª edição que veio com mudanças importantes em sua composição.

Pelo terceiro ano, o prêmio realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) terá as categorias divididas em quatro eixos – Literatura, Ensaios, Livro e Inovação –, mas pensando em tornar o prêmio cada vez mais abrangente, algumas alterações foram feitas.

A primeira delas foi a criação da categoria Romance de Entretenimento, criada para premiar os autores nacionais de ficção que, normalmente, não são contemplados pelos prêmios de literatura. São romances voltados para o grande público com maior potencial para se tornarem best-sellers. A categoria Romance passará a chamar Romance Literário e a diferença prática entre as duas categorias está em sua construção: uma tem ênfase na estética, forma e a outra no conteúdo. Para Pedro Almeida, curador do Prêmio pelo segundo ano consecutivo, a adição da nova categoria “Renova o prêmio e o atualiza com o que acontece e se produz na indústria editorial”.

Pedro manteve a equipe do conselho curador que continua composto por Camile Mendrot (AB Aeterno Produção Editorial), Mariana Mendes (Canal Bondelê), Cassius Medauar (Jornalista, Editor, Professor e Tradutor) e Marcos Marcionilo (Sócio e Publisher da Parábola Editorial).

Dentro do eixo Ensaio, a categoria de Humanidades também sofreu mudanças. A partir desta edição ela será dividida em Ciências Humanas e Ciências Sociais. Segundo a curadoria do prêmio, a mudança foi necessária porque a categoria Humanidades reunia um grupo grande de temas distintos, sendo também a categoria com a maior quantidade de livros inscritos, o que tornava o trabalho do avaliador mais complexo que o das demais categorias. A divisão adotou a classificação básica seguida pela Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] e pelo CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico].

Já no eixo Livro, a categoria Impressão foi retirada do prêmio. O conselho curador justificou a decisão alegando que considera que já existe um prêmio importante para a indústria gráfica, o Prêmio Fernando Pini, e que irá apoiar diretamente a premiação realizada pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).

Assim como na última edição, os finalistas de cada categoria serão anunciados pela CBL em duas fases. Na primeira, serão divulgados os dez finalistas para cada uma das 20 categorias. Mais próximo da premiação, a CBL fará o anúncio dos cinco finalistas. Já os primeiros colocados em cada categoria serão revelados somente no dia da cerimônia de premiação, que este ano acontecerá em setembro em local ainda a ser definido.

Poderão concorrer ao certame obras que possuam ISBN e ficha catalográfica (impressa ou digital) e publicadas, em primeira edição, entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2019. As inscrições, que começam hoje seguem abertas até o dia 30 de abril e podem ser feitas pelo site do Prêmio.

Para se inscrever, os associados da CBL terão que desembolsar R$ 285 por cada livro. O valor da inscrição pode chegar a R$ 430. No caso de coleções, associados pagam R$ 440 e o valor pode chegar a R$ 515.

Fonte: PublishNews