As paredes eram brancas – Discurso Indireto Livre

Técnica ou falha na narrativa?


Confesso que tenho ficado surpreso com alguns comentários sobre a técnica empregada na narrativa do livro “As paredes eram brancas”.  O Discurso Indireto Livre é uma técnica utilizada por autores em todo o mundo, entretanto, percebo que, no intuito de parecerem críticos (de literatura?), alguns leitores associam a utilização de tal técnica a uma “falha” na narrativa. Recentemente, num desses comentários na internet, li algo assim: “A trama (do livro As paredes eram brancas) é muito boa, mas, em alguns momentos, as vozes dos personagens se confundem com a voz do narrador”. Um erro crasso do escritor?
            Bem, é importante lembrar que essa é um das principais caraterísticas da técnica. No Discurso Indireto Livre, as falas dos personagens, feitas em primeira pessoa, surgem espontaneamente dentro do discurso do narrador, feito em terceira pessoa. Por não haver marcas que indiquem a separação da fala do narrador e da fala do personagem, em alguns casos é difícil delimitar o início e o fim da fala do personagem, uma vez que está inserida na voz do narrador. Nesse sentido, leitores, digamos, menos inteirado no assunto, podem enxergar uma falha onde na verdade há só mais uma técnica empregada pelo escritor naquela determinada obra.

Ficou curioso(a)?… Saiba mais sobre o livro AQUI.

Por: Max Moreno

Entrevista: Como escreve Max Moreno

Como você começa o seu dia? Você tem uma rotina matinal?

Tenho o hábito de acordar cedo, gosto de me antecipar ao sol. Entretanto, não posso considerar que haja uma rotina, já que às vezes assisto ao noticiário matinal na TV, às vezes confiro as mensagens de e-mail da noite anterior, às vezes escrevo. Quando raramente opto por este último sempre me surpreendo com as possibilidades que o texto adquire, embora muitas vezes tenha que reescrevê-lo. Creio que isso ocorra porque uma mente descansada “viaja” mais. O problema é que nem sempre essas viagens levam a um lugar “construtivo”, do ponto de vista crítico.

Em que hora do dia você sente que trabalha melhor? Você tem algum ritual de preparação para a escrita?

Sou, e admito isso sem nenhum problema, um escritor de hábitos noturnos. À noite, tudo funciona melhor para mim. Os ruídos, tão comuns durante o dia, tornam-se mais aceitáveis quando a escuridão chega… Confira a entrevista completa AQUI.

As paredes eram brancas – Resenha portal “O Literário”

A primeira coisa que se nota na narrativa de Max Moreno em “As paredes eram brancas” é a comicidade velada. Aquele ar cômico interessante e pautado nas entrelinhas, que faz o leitor somente esboçar um leve sorriso de lado, mas que mostra a genialidade de quem tem familiaridade com as palavras. Nem preciso dizer o quanto aprecio esta sagacidade. Faz com que eu goste do narrador antes mesmo de pensar em apreciar o personagem. L… Ver mais