Até a última consequência – Por: Silvania Maria Costa

Apesar da “tempestade” ainda há poesia, o que nos faz acreditar em dias menos sombrios. Confira o texto (necessário) da escritora Silvania.

ATÉ A ÚLTIMA CONSEQUÊNCIA

Nem que não valesse a pena.

Altruísmo mitigado, o óbolo rejeitado, penhor desconsiderado, não importa!

Que seja pela voz calada,

Que seja pela honra ultrajada,

Que seja pela alma violentada!

Onde está teu grito, que não ecoa a dor dos torturados?

Onde irão teus pés, que não caminham ao encontro do expropriado,

Sucumbido, desterrado em favor do latifúndio?

 _ Esperança: alívio ou castigo?

Só mais hoje sobrevive ao inimigo.

Sem trégua, sem descanso resistir.

Amanhã a mesma luta, ou outras lutas hão de vir.

O esperar é tão atroz,

A luz que brilha no machado do algoz!

Só por hoje a fome crônica enganada,

A arrogância na vitrine, de bondade disfarçada,

Conta vantagens nos salões da burguesia,

Travestida para o aplauso e honraria.

Massa alienada conduzida até a morte,

Segue aplaudindo a intolerância e a vilania, feito gado.

A bala que abate vem da arma registrada, posse e porte.

Enquanto isso, um deus terreno feito à mão,

Governa a aparvalhada multidão,

Constrói o desmantelo ao seu agrado.

E nós? O que nos prende sob o domo da anuência?

Se a rebeldia não tolera vida escrava,

Sigamos, pois, até a última consequência.

Se o poder que ainda não nos foi tirado,

Pode ecoar, reverberar e libertar nossa Palavra!

Sobre a autora:

Silvania Maria Costa é escritora, presidente da AME – Associação
Mourãoense dos Escritores, e membro da AML – Academia Mourãoense de
Letras.